Viajar com crianças usando milhas

Conteúdo verificado em 6 de agosto de 2026.

Emitir passagens com milhas para uma família exige mais cuidado do que pesquisar apenas um passageiro. Além da disponibilidade para todos, é necessário conferir regras para bebês, assentos, bagagem, carrinho, alimentação, documentos e possíveis alterações da viagem.

As condições variam conforme o programa de fidelidade, a companhia que emite o bilhete, a empresa que opera o voo, a idade da criança e o itinerário. Por isso, uma regra encontrada em um programa não deve ser aplicada automaticamente a outra emissão.

Este guia apresenta os principais cuidados para pesquisar e emitir passagens em família usando milhas, pontos ou Avios.

Bebê, criança e adolescente: as faixas etárias podem variar

As companhias aéreas normalmente utilizam categorias semelhantes a estas:

  • bebê ou infant: geralmente do nascimento até antes de completar 2 anos;
  • criança ou child: geralmente dos 2 aos 11 anos;
  • adolescente: a partir dos 12 anos, embora as regras de acompanhamento e documentação possam utilizar outras idades.

Essas classificações não são universais. A companhia, o programa e a legislação do país podem adotar limites diferentes para tarifas, documentação, menor desacompanhado e escolha de assentos.

A idade considerada costuma ser a idade na data do voo, e não apenas no momento da compra. Se o bebê completar 2 anos durante a viagem, poderá precisar de assento e bilhete próprios nos voos posteriores ao aniversário.

Crianças pagam a mesma quantidade de milhas que adultos?

Em muitos programas, a criança com assento próprio exige uma passagem award completa, com a mesma quantidade de milhas ou Avios cobrada de um adulto.

Entretanto, existem programas que oferecem condições específicas. O Flying Blue, por exemplo, informa desconto de 25% em bilhetes-prêmio elegíveis para crianças de 2 a 11 anos que viajem com um adulto, desde que a reserva seja feita pelos canais e voos abrangidos pela regra.

Antes de calcular o saldo necessário para a família, confirme:

  • a faixa etária adotada pelo programa;
  • se o desconto vale para a companhia desejada;
  • se a reserva precisa ser feita pelo site ou pela central;
  • se o desconto aparece automaticamente durante a busca;
  • se os voos de parceiros estão incluídos;
  • se as taxas e sobretaxas também recebem desconto;
  • se todos os passageiros precisam estar no mesmo localizador.

Não transfira pontos considerando apenas a quantidade exibida para um adulto. Faça a busca com o número e as idades corretas de todos os passageiros.

Como funciona a passagem do bebê de colo?

O bebê com menos de 2 anos pode, quando permitido, viajar no colo de um adulto sem ocupar um assento próprio. Mesmo assim, normalmente precisa constar na reserva e possuir um bilhete.

A cobrança pode seguir diferentes modelos:

  • gratuidade em determinados voos;
  • valor fixo em dinheiro;
  • quantidade fixa de milhas ou pontos;
  • percentual da tarifa paga pelo adulto;
  • percentual das milhas utilizadas pelo adulto;
  • taxas, impostos e sobretaxas, ainda que a tarifa do bebê seja reduzida.

O Aeroplan é um exemplo de programa com cobrança fixa: em itinerários que não estejam integralmente dentro do Canadá nem entre Canadá e Estados Unidos, o bebê de colo em uma passagem-prêmio pode custar CAD 25 ou 2.500 pontos por direção, além das taxas aplicáveis.

Essa regra não deve ser aplicada a outros programas. Em voos parceiros, também podem prevalecer restrições da companhia operadora.

Não deixe para incluir o bebê somente no aeroporto

O bebê precisa estar corretamente incluído na reserva antes da viagem. Em algumas emissões, a inclusão pode ser feita durante a compra; em outras, é necessário entrar em contato com o programa ou com a companhia depois da emissão do adulto.

Antes de transferir pontos ou emitir, confirme:

  • quem emitirá o bilhete do bebê;
  • se a cobrança será feita em dinheiro, milhas ou pontos;
  • qual tarifa servirá como referência;
  • se o procedimento pode ser concluído por telefone;
  • se existe taxa de atendimento ou emissão;
  • se o bebê poderá ser incluído em voo operado por uma companhia parceira;
  • se o programa exige que o adulto já tenha o bilhete emitido;
  • quais documentos serão necessários.

Emissões com parceiros podem envolver dois localizadores: o do programa que emitiu e o reconhecido pela companhia que operará o voo. Guarde ambos.

Bebê no colo ou em assento próprio?

Quando a família compra um assento próprio para o bebê, normalmente precisa pagar a tarifa aplicável à criança e utilizar um sistema de retenção aprovado para uso aeronáutico, como cadeirinha ou bebê-conforto compatível.

Antes da compra, confirme com a companhia:

  • se o equipamento é aceito;
  • quais certificações são reconhecidas;
  • dimensões máximas permitidas;
  • posição correta no assento;
  • fileiras em que o equipamento pode ser instalado;
  • se é necessário enviar previamente marca, modelo ou manual;
  • se o bebê precisará de tarifa infantil com assento próprio.

Uma cadeirinha aceita em automóvel não é necessariamente aprovada para uso em aeronaves. A aceitação deve ser confirmada antes da viagem.

Um adulto pode viajar com mais de um bebê?

Em geral, apenas um bebê de colo pode ficar sob a responsabilidade de cada adulto durante o voo.

Quando um adulto viaja com dois bebês, pode ser necessário comprar um assento para um deles e utilizar um sistema de retenção aprovado. As regras dependem da companhia, da aeronave e da disponibilidade de equipamentos.

Não conclua a emissão antes de confirmar como a empresa transportará os dois bebês.

Direito de sentar ao lado do responsável

No Brasil, a Resolução nº 807 da ANAC determina que passageiros menores de 16 anos sejam acomodados em assento contíguo ao de seu responsável ou familiar.

A companhia deve assegurar essa alocação na compra ou quando houver alteração da reserva, sem cobrar taxa adicional pela marcação do assento do menor.

A regra não elimina cobranças relacionadas a:

  • mudança para uma classe superior;
  • escolha de assento com espaço extra para as pernas;
  • outros produtos opcionais que não sejam necessários apenas para manter o menor ao lado do responsável.

Mesmo com essa proteção, confira os assentos antes do check-in e novamente depois de qualquer mudança de voo ou aeronave.

Consulte também o guia Como escolher assentos no avião: mapas, taxas e direitos.

Pesquisar disponibilidade para toda a família

Uma busca para um único passageiro não confirma que haverá disponibilidade para toda a família.

Pesquise desde o início o número total de passageiros que precisam de assento. Isso ajuda a identificar:

  • se existem lugares award suficientes no mesmo voo;
  • se o preço aumenta quando a quantidade de passageiros muda;
  • se parte dos lugares está disponível em uma tarifa mais cara;
  • se há passageiros sendo colocados em cabines diferentes;
  • se a conexão continua igual para todos;
  • se as taxas são cobradas individualmente.

Quando a disponibilidade total não aparece, pesquisar grupos menores pode ajudar a entender o que existe, mas não significa que a emissão fragmentada seja segura.

Evite emitir primeiro os adultos e deixar as crianças para depois sem ter confirmado a possibilidade de completar toda a viagem.

Reservas separadas não se tornam uma única reserva

Às vezes, a família precisa emitir passageiros em contas, programas ou localizadores diferentes.

É possível solicitar à companhia que registre uma observação relacionando os localizadores. Entretanto, isso não transforma as reservas em um único bilhete e não garante automaticamente:

  • alteração conjunta dos voos;
  • reacomodação de todos na mesma opção;
  • manutenção dos assentos próximos;
  • proteção em bilhetes separados;
  • compartilhamento de franquia de bagagem;
  • extensão de benefícios de categoria para todos;
  • tratamento idêntico em cancelamentos ou atrasos.

Se reservas separadas forem inevitáveis, guarde todos os localizadores, peça a inclusão das observações e revise cada passagem depois de qualquer alteração.

Bagagem do bebê e da criança

A franquia varia conforme a tarifa, a idade, a existência de assento próprio, a companhia e a rota.

Dependendo da empresa, o bebê pode ter direito a:

  • bolsa ou mochila pequena adicional;
  • bagagem despachada própria;
  • carrinho dobrável;
  • bebê-conforto;
  • cadeirinha de automóvel;
  • moisés portátil.

Esses benefícios não são iguais em todas as companhias. A LATAM, por exemplo, informa atualmente que bebês e crianças de até 11 anos podem levar gratuitamente um carrinho dobrável ou um sistema de retenção infantil, além da bagagem incluída na tarifa. Outras empresas adotam combinações e limites diferentes.

Antes do voo, confirme:

  • se o item será levado até a porta da aeronave;
  • se será entregue na conexão ou somente no destino final;
  • se a companhia fornecerá embalagem;
  • se peças soltas devem ser retiradas;
  • se o carrinho pode viajar na cabine;
  • se o bebê de colo possui franquia própria de bagagem;
  • qual regra será aplicada quando houver companhias parceiras.

Identifique o carrinho, fotografe-o antes do despacho e retire acessórios que possam se perder.

Moisés ou berço a bordo

O moisés, também chamado de berço ou bassinet, costuma estar disponível somente em determinadas aeronaves e posições da cabine.

A companhia pode estabelecer limites de:

  • peso;
  • altura ou comprimento do bebê;
  • idade;
  • quantidade de berços por voo;
  • cabine;
  • fileira ou assento do adulto responsável.

A solicitação não representa garantia de disponibilidade. Mesmo depois da confirmação, o equipamento pode deixar de estar disponível se houver troca de aeronave.

Peça o serviço assim que a emissão for concluída e reconfirme antes da viagem. Durante turbulência, decolagem e pouso, a tripulação pode exigir que o bebê seja retirado do moisés.

Refeições para bebês e crianças: BBML e CHML

Alguns sistemas de reserva utilizam códigos para identificar refeições especiais:

  • BBML — Baby Meal: refeição ou alimento destinado a bebês;
  • CHML — Child Meal: refeição infantil, normalmente destinada a crianças que já consomem alimentos sólidos.

A existência desses códigos não significa que todas as companhias ofereçam as duas opções em todos os voos.

Dependendo da empresa e da rota:

  • a refeição infantil pode precisar ser solicitada antecipadamente;
  • o BBML pode não estar disponível para reserva;
  • pode haver apenas um estoque limitado de papinhas a bordo;
  • a refeição pode ser oferecida somente em voos de longa duração;
  • o pedido pode desaparecer depois de uma alteração de voo;
  • o conteúdo do prato pode variar conforme o aeroporto de origem.

Leve quantidade suficiente de alimentos, leite, mamadeiras e itens necessários para o tempo total da viagem, incluindo possíveis atrasos.

Não presuma que a tripulação poderá esterilizar mamadeiras, fornecer água esterilizada, refrigerar alimentos ou garantir ausência total de alérgenos.

Quando houver alergia ou restrição alimentar, consulte a companhia e leve alternativas apropriadas. Uma refeição infantil não é necessariamente uma refeição livre de determinado ingrediente.

Documentos para crianças e adolescentes

Os documentos dependem da idade, da nacionalidade, do destino, das conexões e de quem acompanhará o menor.

Podem ser exigidos:

  • documento de identidade;
  • certidão de nascimento, quando aceita;
  • passaporte válido;
  • visto ou autorização eletrônica;
  • autorização de viagem nacional;
  • autorização de viagem internacional;
  • documentação que comprove filiação ou responsabilidade;
  • formulários da companhia para menor desacompanhado;
  • autorizações adicionais exigidas por países de conexão.

Não verifique somente as regras do destino final. Países de conexão também podem exigir documentos adicionais, mesmo quando a família permanece na área internacional do aeroporto.

Consulte sempre os órgãos oficiais brasileiros, os consulados dos países envolvidos e a companhia aérea antes da viagem.

Quando a criança possui dupla cidadania, consulte também Dupla cidadania: qual passaporte usar e qual nome colocar na passagem?

Conexões com crianças precisam de margem maior

Uma conexão tecnicamente permitida pode ser inadequada para uma família com crianças pequenas.

Considere:

  • tempo para desembarcar e organizar os pertences;
  • troca de fraldas e alimentação;
  • distâncias entre portões;
  • retirada e devolução do carrinho;
  • segurança, imigração e alfândega;
  • mudança de terminal;
  • necessidade de retirar e despachar novamente a bagagem;
  • diferença de horário e cansaço das crianças;
  • possibilidade de pernoite não planejado;
  • bilhetes emitidos separadamente.

Quando possível, prefira todos os trechos no mesmo bilhete e evite conexões muito apertadas, trocas de aeroporto e reservas independentes.

Alterações, cancelamentos e reemissões

Uma mudança feita pela companhia pode afetar assentos, refeições, moisés, assistência, conexões e o vínculo entre o bebê e o adulto.

Depois de qualquer alteração:

  • confirme todos os passageiros no novo voo;
  • verifique se o bebê continua incluído;
  • revise os assentos da família;
  • refaça pedidos de refeições especiais;
  • confirme novamente o moisés;
  • verifique carrinho, cadeirinha e bagagem;
  • confira se todos permanecem na mesma cabine;
  • guarde os novos números de bilhete e localizadores.

As regras de reembolso das milhas, taxas e bilhetes do bebê dependem do programa e da tarifa. Consulte também Cancelamento e remarcação de passagens com milhas.

Erros comuns ao emitir para uma família

  • Pesquisar apenas um passageiro e presumir que haverá lugares para todos.
  • Transferir pontos antes de confirmar a disponibilidade total.
  • Emitir os adultos e deixar as crianças para depois.
  • Não verificar como o bebê será incluído na reserva.
  • Presumir que criança sempre paga menos milhas.
  • Ignorar as taxas cobradas individualmente.
  • Aceitar conexões inadequadas para crianças pequenas.
  • Não confirmar o direito a carrinho, cadeirinha ou bagagem.
  • Confiar que reservas separadas serão tratadas como uma única reserva.
  • Não revisar assentos e serviços depois de uma alteração de voo.
  • Usar nome diferente daquele constante no documento de viagem.
  • Deixar documentos e autorizações para a última hora.

Checklist antes de emitir

  • Quantidade correta de adultos, crianças e bebês informada na busca.
  • Idades consideradas nas datas de todos os voos.
  • Disponibilidade confirmada para todos os passageiros.
  • Quantidade total de milhas, pontos ou Avios conferida.
  • Taxas e dinheiro obrigatório calculados para o grupo inteiro.
  • Regra do bebê de colo confirmada com o programa.
  • Procedimento para incluir o bebê conhecido antes da emissão.
  • Assentos próximos verificados.
  • Cabine de todos os passageiros conferida.
  • Franquia de bagagem e itens infantis confirmada.
  • Conexões compatíveis com a família.
  • Documentos e autorizações verificados.
  • Regras de cancelamento e alteração conhecidas.
  • Pontos ainda não transferidos sem uma emissão viável.

Checklist antes do voo

  • Todos os bilhetes e localizadores conferidos.
  • Bebê incluído corretamente na reserva.
  • Assentos da família revisados.
  • Moisés reconfirmado, quando solicitado.
  • Refeições especiais reconfirmadas.
  • Carrinho, bebê-conforto ou cadeirinha identificados.
  • Documentos e autorizações separados na bagagem de mão.
  • Alimentos, fraldas, roupas e medicamentos suficientes para atrasos.
  • Regras de conexão e retirada de bagagem verificadas.
  • Reserva revisada novamente após qualquer mudança de horário ou aeronave.

Fontes oficiais para conferência

As regras dos programas, companhias e países podem mudar. Confirme novamente todas as condições antes de transferir pontos, emitir a passagem e viajar.


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