Dupla cidadania: qual passaporte usar e qual nome colocar na passagem?

Última revisão: 24 de julho de 2026

Quem possui dupla cidadania pode sair de um país com um passaporte e entrar no destino com outro. Essa possibilidade, porém, costuma gerar uma dúvida importante: qual nome deve aparecer na passagem aérea quando os dois passaportes têm nomes diferentes?

A resposta depende principalmente do documento que será usado para cumprir as exigências migratórias do destino, como visto, ESTA, ETA, eTA, NZeTA ou outra autorização eletrônica.

A regra prática mais segura é escolher o passaporte que será utilizado para entrar no destino, obter com ele a autorização ou o visto necessário e emitir todas as passagens relacionadas à viagem com o nome que aparece nesse passaporte.

O passaporte apresentado à imigração do país de origem pode ser diferente. Isso não significa, porém, que seja recomendável emitir a ida com um nome, a volta com outro e os voos internos com um terceiro padrão.

É permitido viajar com dois passaportes?

Sim. Uma pessoa com dupla cidadania pode usar documentos diferentes em momentos diferentes da viagem.

Um brasileiro que também tenha cidadania italiana, por exemplo, pode:

  • apresentar o passaporte brasileiro no controle migratório ao sair do Brasil;
  • apresentar o passaporte italiano à companhia aérea para comprovar que está autorizado a entrar no destino;
  • entrar no país estrangeiro como cidadão italiano;
  • voltar a apresentar o passaporte brasileiro ao retornar ao Brasil.

A Polícia Federal informa que brasileiros com dupla nacionalidade podem sair e retornar usando o passaporte da outra nacionalidade. Quando o viajante não apresenta um passaporte brasileiro válido, pode ser necessário apresentar também um documento de identidade brasileiro para que sua movimentação seja registrada como cidadão brasileiro.

Usar o passaporte brasileiro no controle migratório brasileiro continua sendo a opção mais simples.

É importante entender que a Polícia Federal e a companhia aérea fazem verificações diferentes:

  • a Polícia Federal registra a saída ou entrada da pessoa no Brasil;
  • a companhia aérea verifica a identidade do passageiro e se ele possui os documentos necessários para desembarcar no destino.

Por isso, não há contradição em mostrar o passaporte brasileiro à Polícia Federal e ter uma passagem emitida com o nome do passaporte italiano.

Qual nome deve ser colocado na passagem?

O nome da passagem deve corresponder ao documento que será apresentado à companhia aérea e utilizado como base para a entrada no destino.

As companhias aéreas normalmente exigem que o nome e o sobrenome da reserva correspondam ao documento oficial utilizado pelo passageiro. Portanto, se a pessoa entrará nos Estados Unidos com passaporte italiano e ESTA, o nome recomendado para a passagem é o do passaporte italiano.

Isso deve ser mantido em:

  • voo do Brasil para os Estados Unidos;
  • voo de volta ao Brasil;
  • eventuais conexões;
  • voos domésticos dentro dos Estados Unidos;
  • reservas separadas que façam parte da mesma viagem.

Ao preencher a reserva, copie o nome como aparece na página de identificação do passaporte escolhido. Em sistemas que não aceitam acentos, apóstrofos ou hífens, siga a orientação da companhia aérea e confira também a zona de leitura mecânica do passaporte, conhecida como MRZ.

Posso comprar a ida com o nome brasileiro e a volta com o nome italiano?

Duas passagens separadas podem, tecnicamente, ser emitidas com grafias diferentes. Isso, porém, não é uma boa estratégia quando os nomes correspondem a passaportes diferentes.

Para os sistemas da companhia aérea, os dois registros podem parecer pertencer a pessoas diferentes. A divergência pode dificultar:

  • o check-in;
  • o despacho de bagagem;
  • a associação entre reservas;
  • a proteção em caso de atraso ou cancelamento;
  • a alteração ou o reembolso do bilhete;
  • o crédito de milhas;
  • a comprovação da autorização migratória;
  • a identificação perante os controles de segurança.

As companhias possuem procedimentos para corrigir pequenos erros ou atualizar nomes após casamento e mudança legal. Uma correção de nome, entretanto, não significa que seja permitido substituir livremente um passageiro por outro. As condições e os custos variam conforme a companhia e a tarifa.

Em uma única reserva ou bilhete com vários trechos, o passageiro possui um único registro de nome. Não é possível emitir um trecho como “João Silva” e outro como “Giovanni Rossi” dentro do mesmo bilhete como se fossem identidades independentes.

A solução mais segura é escolher um dos passaportes como documento principal daquela viagem e utilizar seu nome em todos os voos.

Visto, ESTA, ETA e eTA são a mesma coisa?

Não. Apesar dos nomes parecidos, são sistemas diferentes. Também não existe uma autorização eletrônica universal válida para todos os países.

Visto

O visto é uma autorização migratória emitida por um país para determinada finalidade, como turismo, estudo, trabalho ou residência.

Ele pode ser:

  • colado ou impresso no passaporte;
  • emitido eletronicamente;
  • registrado apenas no sistema migratório.

A existência de um visto não garante automaticamente a entrada. A decisão final normalmente continua pertencendo à autoridade migratória no desembarque.

ESTA dos Estados Unidos

O ESTA, ou Electronic System for Travel Authorization, é uma autorização eletrônica para pessoas que viajam aos Estados Unidos pelo Visa Waiver Program.

O programa permite que cidadãos de determinados países, entre eles a Itália, solicitem entrada nos Estados Unidos para turismo, negócios ou trânsito, normalmente por até 90 dias, sem obter previamente um visto B1/B2.

O ESTA:

  • não é um visto;
  • fica vinculado ao passaporte usado na solicitação;
  • não garante a entrada nos Estados Unidos;
  • não deve ser solicitado com um passaporte e utilizado com outro.

Quem trocar de passaporte ou mudar de nome poderá precisar solicitar um novo ESTA.

eTA do Canadá

A autorização canadense chama-se eTA, em inglês, ou AVE — Autorização de Viagem Eletrônica, em português.

Ela é exigida de muitos viajantes dispensados de visto quando chegam ao Canadá de avião. A autorização fica vinculada ao passaporte usado na solicitação.

ETA do Reino Unido

O Reino Unido possui uma Electronic Travel Authorisation, conhecida como ETA. A autorização fica vinculada ao passaporte utilizado na solicitação.

Quem solicitar uma ETA britânica com o passaporte italiano deve viajar com esse mesmo documento. A ETA permite que o passageiro viaje até o Reino Unido e peça admissão, mas não garante a entrada.

ETIAS da Europa

O ETIAS é a autorização eletrônica prevista para visitantes de países dispensados de visto que entrarem em determinados países europeus.

Em 24 de julho de 2026, o ETIAS ainda não estava recebendo solicitações. A União Europeia previa sua implementação para uma etapa posterior de 2026, mas a data efetiva ainda deveria ser confirmada antes da viagem.

Sites que afirmem vender um ETIAS antes da abertura do sistema oficial devem ser tratados com cautela.

Outras autorizações eletrônicas

Outros exemplos são:

  • NZeTA da Nova Zelândia;
  • K-ETA da Coreia do Sul;
  • ETA-IL de Israel;
  • ETA australiana.

Cada país define suas próprias regras, nacionalidades elegíveis, prazos, taxas e documentos. Apesar dos nomes semelhantes, uma ETA não funciona necessariamente da mesma maneira que outra.

Exemplo completo: brasileiro e italiano viajando aos Estados Unidos

Imagine uma pessoa com:

  • passaporte brasileiro em nome de João da Silva Souza;
  • passaporte italiano em nome de Giovanni Silva De Souza;
  • ESTA aprovado no passaporte italiano.

A configuração mais segura seria a seguinte.

Na compra das passagens

Todos os voos devem ser emitidos como Giovanni Silva De Souza, seguindo o passaporte italiano.

Isso inclui:

  • Brasil–Estados Unidos;
  • Estados Unidos–Brasil;
  • Nova York–Orlando;
  • Orlando–Miami;
  • qualquer outro voo doméstico ou conexão vinculada à viagem.

No check-in no Brasil

A pessoa deve apresentar o passaporte italiano, porque é nele que está o ESTA que demonstra sua autorização para viajar aos Estados Unidos sem visto.

Também deve levar o passaporte brasileiro e apresentá-lo quando necessário.

Na saída do Brasil

No controle migratório brasileiro, apresenta o passaporte brasileiro. Caso o agente veja a passagem com o nome italiano ou solicite esclarecimentos, apresenta também o passaporte italiano.

Na entrada nos Estados Unidos

Apresenta o passaporte italiano vinculado ao ESTA.

A pessoa deve responder com veracidade a todas as perguntas sobre nacionalidade, local de nascimento, outros passaportes, nomes anteriores e histórico migratório.

O fato de também ser brasileiro não elimina automaticamente o direito de usar o Visa Waiver Program com um passaporte italiano elegível.

Não existe uma regra oficial que determine a recusa automática de um cidadão italiano apenas por também possuir cidadania brasileira ou ter nascido no Brasil. O ESTA, entretanto, não garante a admissão, e qualquer passageiro pode ser encaminhado para inspeção adicional conforme suas circunstâncias individuais.

Nos voos domésticos americanos

O passaporte italiano pode ser utilizado como documento de identificação. O nome do cartão de embarque deve corresponder ao documento apresentado.

Mesmo que um voo doméstico tenha sido comprado separadamente, não há vantagem prática em emiti-lo no nome brasileiro. Manter o nome italiano evita que a mesma viagem fique dividida entre duas identidades documentais.

Na saída dos Estados Unidos

Os Estados Unidos normalmente não possuem um guichê tradicional de imigração de saída nos aeroportos. A companhia aérea transmite os dados do passageiro às autoridades.

No check-in, a pessoa apresenta o passaporte italiano para corresponder à passagem e ao registro de entrada. Também pode mostrar o passaporte brasileiro para comprovar que tem direito de entrar no Brasil.

Na chegada ao Brasil

Apresenta o passaporte brasileiro à Polícia Federal.

E se houver um visto americano válido no passaporte brasileiro?

Nesse caso, a pessoa pode ter duas possibilidades:

  • viajar como brasileira, usando o passaporte brasileiro e o visto;
  • viajar como italiana, usando o passaporte italiano e o ESTA, desde que continue elegível.

Não é recomendável iniciar a viagem com uma dessas bases e terminar com a outra sem necessidade.

Caso escolha o visto do passaporte brasileiro, a solução mais coerente é:

  • passagens no nome brasileiro;
  • check-in com o passaporte brasileiro;
  • entrada nos Estados Unidos com o passaporte brasileiro e o visto;
  • voos domésticos no nome brasileiro;
  • saída vinculada ao mesmo documento.

Caso escolha o ESTA italiano, use o nome e o passaporte italiano em todo o itinerário relacionado aos Estados Unidos.

Ter visto ou ESTA não garante a entrada. A escolha deve considerar a validade dos documentos, o objetivo da viagem, o tempo de permanência e eventuais antecedentes migratórios.

Canadá: passaporte italiano, eTA ou visto brasileiro?

O Canadá diferencia as exigências conforme a nacionalidade e o meio de transporte.

O passaporte italiano está entre os documentos cujos titulares normalmente precisam de eTA para viajar ou fazer conexão no Canadá por via aérea.

Quando a chegada ocorre por carro, ônibus, trem ou navio, em regra o cidadão italiano não precisa de eTA, embora continue precisando de passaporte válido e de cumprir as demais exigências de entrada.

O passaporte brasileiro normalmente está sujeito a visto canadense. Alguns brasileiros, entretanto, podem se qualificar para uma eTA em viagens aéreas quando atendem às condições determinadas pelo Canadá, como possuir determinado histórico de visto canadense ou visto americano válido.

Mesmo nesses casos, a eTA vinculada ao passaporte brasileiro normalmente serve para chegada ou trânsito aéreo. Para entrar por via terrestre ou marítima, pode ser necessário um visto.

Para um brasileiro que também é italiano, viajar com o passaporte italiano e sua eTA costuma ser documentalmente mais simples. A passagem deve ser emitida no nome italiano, e o mesmo passaporte utilizado na solicitação deve ser apresentado no embarque.

Uma pessoa que também seja cidadã canadense constitui situação diferente: cidadãos canadenses com dupla cidadania normalmente devem utilizar um passaporte canadense válido para embarcar em um voo com destino ao Canadá.

Europa: qual passaporte usar?

Para entrar nos países da União Europeia ou do Espaço Schengen, um cidadão italiano deve preferencialmente apresentar o passaporte italiano ou outro documento europeu aceito.

Isso permite que ele seja processado como cidadão da União Europeia.

Caso apresente o passaporte brasileiro, poderá ser tratado como visitante de país terceiro, sujeito aos limites de permanência e aos controles aplicáveis a turistas brasileiros.

O Entry/Exit System, conhecido como EES, registra eletronicamente entradas e saídas de determinados viajantes não pertencentes à União Europeia em estadias de curta duração.

Um cidadão italiano que entra com o passaporte italiano não deve ser processado como um visitante brasileiro sujeito às mesmas regras aplicáveis aos nacionais de países terceiros.

Quando o ETIAS começar a funcionar, cidadãos italianos continuarão dispensados dessa autorização por serem cidadãos da União Europeia. Um brasileiro sem cidadania europeia deverá verificar a exigência aplicável antes da viagem.

Em uma viagem Brasil–Itália–França–Brasil, a recomendação é:

  • emitir todos os voos no nome italiano;
  • apresentar o italiano à companhia aérea;
  • usar o brasileiro no controle migratório brasileiro;
  • entrar e circular na Europa com o italiano;
  • levar os dois passaportes durante toda a viagem.

Reino Unido não segue as mesmas regras da União Europeia

O Reino Unido não faz parte do Espaço Schengen e possui seu próprio sistema de entrada.

Brasileiros e italianos dispensados de visto para determinadas visitas de curta duração precisam verificar se estão sujeitos à ETA britânica.

A autorização fica vinculada ao passaporte usado no pedido. Portanto, quem solicitar a ETA com o passaporte italiano deve:

  • emitir a passagem no nome italiano;
  • viajar com o passaporte italiano;
  • apresentar esse mesmo documento no embarque e na chegada.

Trocar para o passaporte brasileiro depois de obter a ETA italiana pode impedir que a companhia aérea localize corretamente a autorização eletrônica.

Ásia: Japão e Coreia do Sul

Japão

Em julho de 2026, cidadãos italianos e brasileiros podiam viajar ao Japão sem visto para determinadas visitas de curta duração, desde que cumprissem os requisitos aplicáveis.

No caso do passaporte brasileiro, a dispensa depende da utilização de um passaporte eletrônico compatível com os padrões internacionais exigidos.

Como os dois passaportes podem permitir a viagem sem visto, o passageiro deve escolher um deles antes da emissão e utilizar seu nome de maneira consistente.

Caso escolha o italiano:

  • passagem no nome italiano;
  • entrada no Japão com o italiano;
  • voos internos japoneses preferencialmente no mesmo nome.

Coreia do Sul

A Coreia do Sul é um exemplo de destino em que duas cidadanias podem produzir exigências diferentes.

Em 2026, a Itália estava incluída entre as nacionalidades beneficiadas por uma isenção temporária da K-ETA. A situação do passaporte brasileiro era diferente e deveria ser verificada antes da viagem.

Um brasileiro com cidadania italiana poderia utilizar o passaporte italiano dentro das condições da isenção vigente.

Nesse caso:

  • a passagem deve seguir o nome italiano;
  • o passaporte italiano deve ser apresentado no embarque e na imigração;
  • a regra deve ser verificada novamente para viagens posteriores ao período da isenção.

Oriente Médio: não existe uma única regra regional

Cada país do Oriente Médio mantém seu próprio sistema de vistos, autorizações e admissão.

Israel, por exemplo, passou a utilizar a ETA-IL para visitantes de determinados países dispensados de visto. A autorização permite que o viajante se apresente para uma visita de curta duração, mas não garante a entrada.

Outros países podem adotar:

  • visto antecipado;
  • visto eletrônico;
  • visto na chegada;
  • dispensa de visto;
  • regras diferentes conforme o passaporte.

O viajante deve verificar também as exigências do país de conexão. Uma escala pode exigir autorização de trânsito mesmo que o passageiro não pretenda sair do aeroporto.

A regra documental permanece a mesma: a passagem deve utilizar o nome do passaporte no qual está o visto, eVisa, ETA ou outra autorização escolhida para aquela viagem.

Oceania: Austrália e Nova Zelândia

Austrália

A Austrália exige que viajantes que não sejam cidadãos australianos possuam uma autorização migratória ou visto apropriado antes da viagem.

Para muitos cidadãos europeus, incluindo italianos, uma das alternativas para turismo é o eVisitor, subclasse 651. Apesar de não ser colado no passaporte, o eVisitor é juridicamente um visto eletrônico.

Brasileiros normalmente precisam verificar a categoria de visto de visitante aplicável à sua situação.

Um brasileiro com cidadania italiana que obtenha o eVisitor com o passaporte italiano deve emitir a passagem com o nome italiano e viajar com esse passaporte.

A Austrália também possui uma Electronic Travel Authority, conhecida como ETA subclasse 601, destinada a determinadas nacionalidades. Diferentemente do ESTA americano, a ETA australiana é tratada como uma categoria de visto.

Em caso de troca de passaporte, pode ser necessário atualizar os dados ou solicitar uma nova autorização, conforme a categoria utilizada.

Nova Zelândia

Brasil e Itália estão entre os países que podem participar do regime neozelandês de dispensa de visto para determinadas visitas de curta duração. Esses viajantes normalmente precisam solicitar previamente uma NZeTA.

A NZeTA deve ser solicitada com o mesmo passaporte que será utilizado na viagem. Os dados da autorização precisam corresponder ao documento apresentado no embarque.

O brasileiro com passaporte italiano pode escolher o documento mais adequado, desde que:

  • obtenha a NZeTA com o passaporte escolhido;
  • emita as passagens com o nome desse passaporte;
  • apresente o mesmo documento na chegada;
  • mantenha a mesma identidade documental nos voos internos relacionados à viagem.

E se os nomes dos dois passaportes forem diferentes?

As diferenças podem ser pequenas ou substanciais.

Diferenças pequenas

Alguns exemplos:

  • presença ou ausência de nome do meio;
  • acentos;
  • espaços;
  • hífens;
  • ordem de determinados sobrenomes;
  • abreviação causada pelo limite de caracteres da reserva.

Essas diferenças nem sempre impedem o embarque, especialmente quando os demais dados estão corretos. Entretanto, não existe uma tolerância universal aplicável a todas as companhias, países e sistemas.

O ideal é copiar o nome do passaporte que será usado na viagem e revisar a passagem imediatamente após a emissão.

Diferenças substanciais

Alguns exemplos:

  • João em um passaporte e Giovanni no outro;
  • sobrenomes completamente diferentes;
  • nome de solteiro em um documento e de casado no outro;
  • inclusão ou retirada de sobrenome por decisão judicial;
  • nomes traduzidos ou adaptados após o reconhecimento de uma cidadania.

Nesses casos, o passageiro deve levar documentos que demonstrem que os dois passaportes pertencem à mesma pessoa, como:

  • certidão de nascimento;
  • certidão de casamento;
  • decisão judicial de alteração do nome;
  • documento oficial de reconhecimento da cidadania;
  • tradução juramentada, quando adequada.

Esses documentos ajudam a explicar a divergência, mas não obrigam uma companhia aérea a aceitar uma passagem emitida incorretamente. Quando houver diferença substancial, o ideal é resolver a grafia com a companhia antes do dia da viagem.

Qual nome usar nos voos domésticos?

Quando o voo doméstico faz parte de uma viagem internacional, a recomendação é manter o nome do passaporte escolhido para entrar naquele país.

Isso é especialmente importante quando:

  • os trechos estão no mesmo bilhete;
  • há despacho de bagagem até o destino final;
  • uma empresa protege a conexão da outra;
  • os bilhetes estão associados;
  • o passageiro usará o passaporte como identificação.

Em uma passagem doméstica inteiramente separada, pode ser possível utilizar outro documento aceito localmente. Isso, porém, raramente oferece vantagem e aumenta a possibilidade de problemas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um estrangeiro pode apresentar um passaporte estrangeiro válido no controle de segurança. O nome da passagem deve corresponder ao documento utilizado.

Em outros países, as regras de identificação em voos domésticos podem aceitar passaporte, carteira nacional de identidade ou documentos locais. A política deve ser verificada com a companhia e com a autoridade responsável pela segurança aeroportuária.

O que fazer antes de emitir a passagem

  1. Verifique quais passaportes estão válidos.
  2. Consulte as exigências do destino para cada nacionalidade.
  3. Verifique também os países de conexão e trânsito.
  4. Escolha o passaporte que será usado para entrar no destino.
  5. Solicite o visto ou a autorização eletrônica com esse passaporte.
  6. Confirme a aprovação antes da viagem e, quando possível, antes de comprar uma tarifa não reembolsável.
  7. Emita todos os trechos relacionados com o nome desse passaporte.
  8. Confira nome, data de nascimento, nacionalidade, número e validade do passaporte.
  9. Leve os dois passaportes durante toda a viagem.
  10. Caso os nomes sejam diferentes, leve os documentos que conectem as duas identidades.

Perguntas frequentes

Posso sair do Brasil com o passaporte brasileiro e entrar em outro país com o italiano?

Sim. Essa é uma prática comum entre pessoas com dupla cidadania. Use o brasileiro no controle migratório brasileiro e o italiano na entrada do país em que deseja ser admitido como cidadão italiano.

A passagem precisa ter o nome do passaporte brasileiro?

Não necessariamente. A passagem deve seguir o passaporte usado para cumprir as exigências da companhia aérea e do destino. Se o ESTA, a ETA ou o visto estiver vinculado ao passaporte italiano, use o nome italiano.

Posso emitir a ida no nome brasileiro e a volta no italiano?

Pode ser tecnicamente possível em reservas separadas, mas não é recomendado. Isso cria dois registros de nomes para a mesma viagem e pode causar problemas no check-in, nas conexões, no despacho de bagagem e nas alterações da passagem.

Qual passaporte devo usar nos voos domésticos?

Preferencialmente o mesmo passaporte e o mesmo nome utilizados na viagem internacional. Isso mantém todos os trechos coerentes.

ESTA é um visto?

Não. É uma autorização eletrônica para viajar aos Estados Unidos pelo Visa Waiver Program. Ela não garante a entrada.

Toda ETA é igual?

Não. Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Israel e outros países possuem sistemas próprios. Algumas são autorizações de viagem e outras são tratadas juridicamente como vistos eletrônicos.

O ETIAS europeu já está valendo?

Em 24 de julho de 2026, o sistema ainda não estava recebendo solicitações. A data deve ser verificada novamente antes da viagem.

Brasileiros com passaporte italiano são barrados com mais facilidade nos Estados Unidos?

Não há, nas regras oficiais consultadas, uma restrição automática apenas porque a pessoa também é brasileira. O passaporte italiano permanece elegível ao Visa Waiver Program, desde que o viajante cumpra todas as condições.

Entretanto, ESTA ou visto não garantem a entrada. O agente pode analisar individualmente o objetivo da viagem, a documentação, as respostas prestadas e o histórico migratório.

Fontes oficiais para conferência

Como as regras migratórias podem mudar, consulte sempre os sites oficiais antes da emissão e novamente próximo da viagem:

Aviso importante

As regras migratórias podem mudar sem aviso e variam conforme nacionalidade, finalidade da viagem, duração, histórico pessoal, país de conexão e meio de transporte.

Antes de viajar, consulte sempre:

  • a autoridade migratória oficial do destino;
  • o consulado ou a embaixada correspondente;
  • a companhia aérea responsável pelo embarque;
  • os requisitos de trânsito de todos os países do itinerário.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma orientação oficial, consular ou jurídica específica.


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